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Normas e fiscalização

Armazém de terceiros interditado: o que o dono da carga consegue provar?

A Anvisa interditou parte de um terminal em Santos. Quem guarda estoque em armazém de terceiros precisa provar a temperatura dos lotes. Veja o que a RDC 430 pede.

Equipe Sensoriz ·

Doca de armazém com a porta aberta, um pallet de caixas lacradas no chão e um caminhão baú vazio parado do lado de fora
Imagem ilustrativa gerada por IA

O dono da carga só consegue provar o que ele mesmo registrou. Se o único registro de temperatura e umidade é o do armazém interditado, o estoque fica sem prova própria. Enquanto isso, estoque parado e sem poder sair é capital imobilizado, venda perdida e risco regulatório ao mesmo tempo.

É essa conta que o diretor de Supply Chain ou de Qualidade passa a fazer no dia em que o armazém de terceiros que guarda o seu produto é interditado.

O que a Anvisa interditou em Santos?

Em 3 de novembro de 2026, o Diário Oficial da União publicou a Resolução-RE 4.282/2026, da Anvisa, que interditou parcialmente um terminal no Porto de Santos. O terminal ficou impedido de receber e armazenar medicamentos, insumos farmacêuticos, dispositivos médicos e matérias-primas sensíveis à temperatura, além de produtos de controle especial.

A medida é parcial: as demais atividades do terminal continuam. Segundo as reportagens, ela vale até que as irregularidades sejam corrigidas, e nenhum prazo foi informado.

Quem paga a conta quando o armazém falha?

De acordo com as reportagens, uma inspeção de rotina, baseada em análise de risco, apontou a falta de área separada para produtos sob suspeita de problema de qualidade ou interditados. Apontou também a falta de áreas separadas, trancadas e de acesso restrito para medicamentos de controle especial.

Essas são falhas estruturais do prestador. Mas quem tem produto lá dentro precisa decidir o que fazer com ele, e rápido.

O que acontece com o estoque na hora da transferência?

Um cenário hipotético: imagine uma distribuidora, sem relação com o caso real, com lotes de insumo refrigerado em um armazém de terceiros. Numa terça-feira, o armazém é interditado para essa categoria de produto.

A distribuidora precisa levar o estoque para outro local. O novo armazém, o cliente e o auditor fazem a mesma pergunta: o que aconteceu com a temperatura desse lote?

Se o único registro é o de quem acabou de ser interditado, a distribuidora depende do documento de terceiros para provar a própria carga.

Que três perguntas fazer ainda esta semana?

  1. Onde está o meu estoque agora? Liste cada armazém terceirizado, o que há em cada um e o valor imobilizado.
  2. Em quanto tempo consigo tirar um lote de lá? Tenha um destino qualificado e um transporte pronto antes de precisar.
  3. O que consigo provar sobre a temperatura e a umidade desse estoque? O registro precisa existir antes do problema, não depois.

O que a RDC 430 já pede?

A RDC 430/2020 trata desses três pontos:

  • Áreas separadas (art. 42): produtos rejeitados, vencidos ou recolhidos ficam em locais separados, com controle de acesso diferente.
  • Registros (art. 43): o monitoramento de temperatura e umidade é registrado, e os registros são guardados por no mínimo dois anos.
  • Terceirização (arts. 72 a 76): o contrato define as responsabilidades de cada parte, e o contratante aprova o prestador com base em qualificação, reavaliada periodicamente.

Em resumo, terceirizar a armazenagem não terceiriza a necessidade de provar a condição do produto.

Como a Sensoriz CORE entra na decisão?

A Sensoriz CORE cria o Gêmeo Digital da sua operação. Ela acompanha temperatura e umidade da carga parada e da carga em movimento na mesma plataforma e guarda o histórico de medições.

Com a gestão por exceção, a equipe não vigia tela: só é avisada quando há uma excursão de temperatura, com tempo de agir.

Em uma inspeção, o relatório Anvisa por QR code dá ao inspetor acesso sem login a um PDF com a identificação dos dispositivos de temperatura e umidade, os valores máximos e mínimos, os certificados de qualidade e de calibração e o histórico de medições.

A decisão sobre cada lote passa a se apoiar em dado próprio, e não na suposição de que o prestador estava em dia.

A CORE não substitui a adequação física do armazém, que é responsabilidade do operador. Ela dá ao dono da carga um registro independente do que aconteceu com o produto.

Perguntas para levar à próxima reunião

  • Quais estoques estão em armazéns de terceiros e quanto capital eles representam?
  • Existe um plano de transferência testado, com destino e transporte qualificados?
  • Os registros de temperatura e umidade são seus ou apenas do prestador?

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Fontes

Publicado originalmente no LinkedIn da Sensoriz.

Resumo em perguntas

O que a Anvisa interditou no terminal do Porto de Santos?

A Resolução-RE 4.282/2026 suspendeu o recebimento e a armazenagem de medicamentos, insumos farmacêuticos, dispositivos médicos, matérias-primas sensíveis à temperatura e produtos de controle especial. A interdição é parcial e vale até a correção das irregularidades.

Terceirizar a armazenagem transfere a responsabilidade pelo produto?

Não. A RDC 430/2020 exige contrato com as responsabilidades de cada parte, e o contratante aprova o prestador com base em qualificação, reavaliada periodicamente.

Por quanto tempo guardar os registros de temperatura e umidade?

Pela RDC 430/2020, os registros de monitoramento de temperatura e umidade são guardados por no mínimo dois anos.

Que perguntas o dono da carga deve responder esta semana?

Onde está cada estoque em armazém de terceiros, em quanto tempo ele pode sair de lá e que prova própria existe sobre a temperatura e a umidade.

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