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Gestão da operação

El Niño histórico chegando: como preparar a cadeia fria de medicamentos antes do pico

A NOAA prevê chance acima de 90% de um El Niño muito forte. Veja o roteiro em três momentos para proteger a cadeia fria de medicamentos antes do pico.

Equipe Sensoriz ·

Caminhão refrigerado entre uma estrada sob sol forte e calor de um lado e chuva forte do outro, com painel de temperatura estável
Imagem ilustrativa gerada por IA

Um medicamento que sai da faixa de 2 a 8 °C e não tem registro disso vira prejuízo duas vezes: a perda do lote e a dificuldade de provar o que aconteceu. Nos próximos meses, o clima vai aumentar a chance de esse cenário se repetir, mas ainda dá tempo de se preparar. O roteiro abaixo organiza o trabalho em três momentos: agora, antes do pico e durante o pico.

O que está previsto para o El Niño?

A NOAA, agência americana de clima, atualizou em 28 de setembro sua leitura do El Niño. A chance de um evento muito forte entre o fim de 2026 e o início de 2027 passa de 90%. Para o trimestre de outubro a dezembro, a chance de um evento histórico, maior que qualquer outro desde 1950, é de 75% (NOAA CPC).

No Brasil, o padrão conhecido é de mais calor e menos chuva no Norte, Nordeste e parte do Centro-Oeste, e chuva mais intensa no Sul, com risco de enchentes. Um estudo da Gallagher aponta que o fenômeno pode afetar ao mesmo tempo logística, energia e continuidade dos negócios (Revista Cobertura). O pico esperado, entre outubro e fevereiro, coincide com a época de maior movimento logístico na América Latina.

Por que isso chega até a temperatura do medicamento?

Calor externo mais alto exige mais de câmaras frias, geladeiras e veículos refrigerados. O equipamento trabalha mais para manter a faixa, e qualquer falha pequena pesa mais. Rotas bloqueadas por chuva no Sul ou por seca em rios e estradas alongam o tempo de trânsito, e a carga passa mais tempo exposta.

Para vacinas, insulinas, biológicos e canetas emagrecedoras, isso significa mais risco de perda de estoque, de reprocesso e de problema com a fiscalização. E a fiscalização está atenta: na semana da publicação original, a Anvisa mandou apreender dois lotes de um medicamento para esclerose múltipla por entrada irregular no país. A própria agência afirmou que não é possível garantir que as condições de conservação foram mantidas ao longo da cadeia (Agência Brasil). A RDC 430/2020 já exige que as etapas de distribuição, armazenagem e transporte sejam validadas e documentadas (Panorama Farmacêutico). Sem histórico confiável, o lote não tem como se defender.

Como se preparar? Um roteiro em três momentos

Agora (próximas duas semanas)

  • Liste os pontos mais expostos: armazéns e câmaras sem climatização reserva, rotas longas e regiões com previsão de calor forte ou de chuva intensa.
  • Revise os planos de contingência. Se a energia cair ou uma rota fechar, quem decide o quê, em quanto tempo, e para onde o estoque vai?
  • Confira o estado dos equipamentos de refrigeração e dos sensores, incluindo calibração em dia. É mais barato corrigir agora do que no primeiro dia de onda de calor.

Antes do pico (outubro e novembro)

  • Troque a conferência feita depois da entrega por monitoramento contínuo, com alerta em tempo real. Um desvio detectado durante o trajeto ainda pode ser corrigido. Um descoberto na chegada só gera perda.
  • Defina limites de alerta compatíveis com o que cada produto suporta, para a equipe agir no que importa e não se perder em alarmes que não exigem ação.
  • Combine com transportadoras e operadores logísticos como os dados de temperatura serão compartilhados e quem responde por cada trecho.
  • Simule uma falha: uma câmara fora do ar por algumas horas, um caminhão parado numa estrada bloqueada. O simulado mostra onde o plano quebra antes que o clima mostre.

Durante o pico (dezembro a fevereiro)

  • Acompanhe os dados diariamente, com responsável definido para cada alerta.
  • Guarde o histórico de cada lote de forma organizada. Se houver auditoria ou reclamação, a resposta precisa estar a um clique de distância.
  • Registre o que aconteceu e o que foi feito. Esses registros viram o ajuste do plano para o próximo verão.

Onde entra a Sensoriz?

A Sensoriz CORE acompanha a temperatura de armazéns, câmaras e transporte de forma contínua, avisa quando há desvio e guarda o histórico para comprovar a conformidade. É a ferramenta que sustenta os passos acima: você enxerga o risco enquanto ainda pode agir e tem a prova pronta quando alguém pedir.

O El Niño não dá para controlar. A preparação, sim. E ela começa antes do pico. Fale com o time da Sensoriz.

Fontes

Publicado originalmente no LinkedIn da Sensoriz.

Resumo em perguntas

Como o El Niño afeta a cadeia fria de medicamentos?

O calor externo mais alto exige mais dos equipamentos de refrigeração, e chuva ou seca alongam o tempo de trânsito. A carga passa mais tempo exposta e qualquer falha pequena pesa mais.

Quando o El Niño deve atingir o pico?

Segundo a NOAA, em atualização de 28 de setembro de 2026, a chance de um evento muito forte entre o fim de 2026 e o início de 2027 passa de 90%. O pico esperado vai de outubro a fevereiro.

O que fazer agora para se preparar?

Listar os pontos mais expostos, revisar os planos de contingência e conferir o estado e a calibração dos equipamentos de refrigeração e dos sensores.

Por que guardar o histórico de temperatura de cada lote?

Porque, em uma auditoria ou reclamação, a resposta precisa estar a um clique de distância. Sem histórico confiável, o lote não tem como se defender.

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